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Mulher tem resultado de seu exame negativo

Infertilidade atinge cerca de oito milhões de brasileiros em idade reprodutiva

Quando um casal deve buscar ajuda de um especialista para ter um filho? Cerca de 15 % a 20% da população brasileira em idade reprodutiva é afetada pela infertilidade. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 8 milhões de brasileiros podem ser acometidos pela infertilidade. É cada dia mais frequente a busca de ajuda médica especializada por pessoas que estão tentando ter filhos. De acordo com dados do 12º Relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), levantamento produzido pela ANVISA, houve um aumento de 18,7% na quantidade de procedimentos de fertilização in vitro no Brasil. Foram 43.098 ciclos de fertilização in vitro realizados em 2018 e 36.307 em 2017. Com os avanços da medicina reprodutiva, os tratamentos de reprodução assistida têm sido cada vez mais usados por aqueles que não conseguem ter filhos espontaneamente. Dentre as técnicas mais utilizadas, estão a Inseminação Artificial e a Fertilização in Vitro (FIV).

“A responsabilidade pela gravidez é compartilhada de forma equilibrada entre os dois sexos”, esclarece o médico Joaquim Lopes, especialista em Reprodução Humano e diretor do Cenafert, serviço de referência em reprodução assistida em Salvador. A infertilidade conjugal é caracterizada pela ausência de gravidez em um casal com vida sexual ativa e que não usa medidas anticonceptivas por um período de dois ou mais anos. Cerca de 40% dos casos de infertilidade de um casal são atribuídos à mulher, 40 % aos homens e em 20% dos casos o problema está presente em ambos os parceiros ou as causas são indefinidas. Nos casais que não estão conseguindo ter filhos naturalmente, a investigação da infertilidade deve ser realizada sempre pelo homem e pela mulher. A condição reprodutiva de cada um deve ser avaliada pelo especialista para que se tenha um diagnóstico preciso das causas da infertilidade e assim seja indicado o tratamento mais adequado.

“É importante saber que uma mulher com menos de 30 anos e boa condição de saúde pode esperar até dois anos para que aconteça a gravidez. Caso a mulher tenha mais de 30 anos não deve aguardar mais que um ano para iniciar uma investigação com o especialista. Se atingiu 35 anos, o prazo de espera não deve ultrapassar seis meses. Após os 40 anos se a mulher deseja engravidar deve, de imediato, iniciar a investigação da sua capacidade fértil”, orienta Joaquim Lopes;

Várias são as causas que podem levar à infertilidade, dentre elas as doenças sexualmente transmissíveis (DST’s), os distúrbios hormonais, obstrução nas trompas, problemas de malformação ou tumores no útero, endometriose e ovários policísticos. Outros fatores também podem influenciar a saúde reprodutiva como o estresse, tabagismo, obesidade, poluição, consumo de álcool e de drogas, uso de alguns medicamentos e a própria ansiedade. Nos homens, a varicocele (varizes na bolsa escrotal) é uma das causas mais comuns da infertilidade e consiste na dilatação anormal das veias que drenam o sangue na região dos testículos. A baixa produção de espermatozoides pelo testículo, causada por alterações hormonais, a mobilidade dos espermatozoides e a qualidade do sêmen são alguns dos fatores que influenciam a fertilidade masculina. Há também causas genéticas em pacientes que não têm espermatozoides (azoospermia) ou que apresentam uma concentração inferior a cinco milhões de espermatozoides por mililitro de sêmen (oligozoospermia acentuada).

A idade da mulher é um dos fatores naturais que comprometem a capacidade reprodutiva. A mulher moderna tem priorizado seu crescimento profissional e sua estabilidade financeira e, por isso, opta por adiar seu projeto de maternidade para uma fase da vida, quando sua fertilidade já entrou em declínio. “Hoje é comum que mulheres tenham seu primeiro filho depois dos 35 anos de idade,” conta Joaquim Lopes. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as mulheres brasileiras estão tendo filhos cada vez mais tarde. O número de mulheres que se tornam mães na faixa entre 30 e 39 anos aumentou de 22,5%, em 2005, para 30,8%, em 2015. No mesmo período, o número de mães mais jovens – entre os 20 e 24 anos de idade – caiu de 30,9% para 25,1%.

Segundo o especialista, alguns hábitos de vida podem melhorar a condição reprodutiva: manter-se no peso adequado, não fumar, praticar atividade física regularmente, ter uma vida sexual saudável com uma frequência de três relações por semana, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e praticar o sexo seguro.

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